por que te queixas? Como diplomata, você poderia publicar sem preocupações económicas e, em cima, você viajou por o mundo todo e conseguiu viver circunstâncias que poucos escritores têm ao seu alcance. Não me digas que terias preferido dedicar-se apenas a publicar.
Tem toda a causa: não possuo nenhum direito a reclamar. Tive sorte e, se pudesse, voltaria a escolher a existência que tenho levado, sem sombra de dúvida. Entretanto eu não escrevi nunca como queixa. Tenho-Me restrito a apontar uma característica do ofício das letras neste povo, por outra quota bem conhecida. Ou melhor, uma obviedade. E tenho feito isso sempre, sem angústia. Pessoalmente, eu não lamentou não poder digitar em tempo integral. Ambos oferecem uma visão muito pouco romântica da charada.
No primeiro, Todas, escrito em 1954, aos 32 anos, Larkin coloca a pergunta em termos ainda defensivos. A vida é uma merda – life stinks, diz – já que, para encaminhar-se puxando, precisa trabalhar seis dias por semana.
Compara o teu serviço de bibliotecário com um sapo (em inglês, toad) que suja a vida com tuas imposições. “Não há pessoas que vivem sem curran e não passa fome? Por que não poderei fazer eu? No segundo, Todas revisited, escrito em 1962, Larkin adota um tom mais positivo a respeito do seu trabalho de bibliotecário.
Sair a passear pelo parque deveria ser mais agradável do que trabalhar trancado em uma biblioteca, diz. Mas não é o seu. O ouvir tocar as horas, ver de perto como repartem o pão, como as nuvens tapam o sol e como as meninas brincam e irão pra residência, sem amigos ou colegas de serviço? Não: você prefere os documentos que lhe chegam à mesa, os seus colaboradores, as chamadas. E conclui: “oferece-me o braço, colega sapo! ¡Ajuda-me a encaminhar-se puxando pelo caminho do cemitério! Para Larkin, a biblioteca era um casamento: regular, rotineiro, confiável.
- Dezoito A Província Ramon Matias Mella Ainda Não Existe.
- Jun.2010 | 14:43
- dois Literatura sefardita
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Talvez um tanto cinza, todavia, a longo prazo, satisfatório. A poesia era uma amante: representava a paixão, a aventura, o sonho. Para mim, conservando todas as distâncias, que são insuperáveis, a vida diplomática foi um casamento menos cinza do que a existência de bibliotecário pra Philip Larkin.
Me levou a países tão diferentes como a Bolívia, Malásia, EUA e Grã-Bretanha, e me permitiu notar todo tipo de gente. Tenho visto muito e tenho aprendido algo. Eu não possuo chato. Contudo, além do mais, vem sendo uma esposa receptiva que me permitiu a todas as aventuras literárias que me são cobiçado.
o Que mais posso pedir? Quase a todo o momento que tenho desejado encontrei tempo pra digitar. É uma profissão, além de uma longa tradição literária. A lista de escritores que foram diplomatas instaura respeito. Citá-lo-ei a alguns: Juan Valera, Saint-John Perse, Josep Carner, Pablo Neruda, Lawrence Durrell, Octavio Paz, Carlos Fuentes.
Pessoalmente, é uma profissão que só lhe posso criticar uma coisa: que é tão vistosa que ultrapassa a de escritor. Inicialmente, isto me irritava um pouco. Pensei: no nação em que quase ninguém podes viver do que escreve e em que todos os escritores necessitam obter a vida fazendo outra coisa, como